7 de junho de 2020

Big Brother

A manutenção do Big Brother como programação "normal", antes e durante a pandemia, é tristemente reveladora da decomposição de valores que, hoje em dia, sustenta a nossa ilusão de comunidade. Viver obscenamente sob o olhar as câmaras, passar os dias a debitar banalidades sobre a existência humana, eis o que se apresenta — e, em boa verdade, se impõe — como padrão do cidadão liberto de complexos. Crise social? Neste caso, é algo de mais insidioso: crise de civilização, já que o factor humano surge transfigurado em "coisa" irrisória e descartável, sempre susceptível de despertar um desprezo espectacular. Entenda-se: promovido como espectáculo. Já ninguém se lembra de Serenata à Chuva.